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Montagem de Paisagens, 2023
acrílica e pastel seco sobre tela
60.5 x 75 cm
Lembrete de Botafogo, 2023
óleo sobre tela
35.5 x 27.5cm
Roxo-Azul (parte da série monotonia), 2024
acrílica sobre tela
35.5 x 27.5cm
Pintura de Seis Dias, 2023
pastel seco e acrílica sobre tela,
60 x 50 cm
Roxo-Verde (parte da série monotonia), 2024
acrílica sobre tela
35.5 x 27.5cm
4 Imagens, 2023
óleo sobre tela
76x76cm
Começo de Fim de Tarde, 2024
acrílica sobre tela
76x58cm
Lembrança de uma velha luz de rua, 2024
Acrílica sobre tela
44.5 x 76 cm
Logo, A Pressa se Desfaz
Exposição e texto por Gabriel MercioEssa amostra de artes é uma seleção de algumas pinturas minhas feitas ao longo dos anos de 2023-2026. Entre o conjunto, existem muitas semelhanças: são paisagens que remetem a um senso de lugar muito ligado ao Rio de Janeiro e seus arredores. Mas por outro lado, as obras trazem abordagens contrastantes sobre a paisagem e suas convenções.
Entre as telas com a temática mais experimental, têm o díptico replicado da “Série Monotonia”, a desnorteante “Montagem de Paisagens”, e as segmentadas “Pintura de Seis Dias” e “Quatro Imagens”. Nessas obras, eu ando em contramão das convenções da pintura figurativa, como o foco num só assunto, o acesso implícito do espectador sobre a paisagem, e a perspectiva tradicional.
Por outro lado, também estão na mostra obras que se arriscam no sentido material. Entre elas, há uma fresca paisagem em óleo em “Lembrete de Botafogo”, o jogo de altinha banhado por em azul-turquesa de “Começo de FIm de Tarde”, e como ponto final da mostra, a nostálgica “Lembrança de uma velha luz de rua”. A assinatura da obra é a experimentação com textura e a luz, feita de formas diversas: veladuras de cor, subtrações feitas com ferramentas de entalhe de madeira, e visíveis ‘jornadas’ de pintura que geram emendas, remetendo ao afresco da antiguidade. Há sempre um cuidado especial em manter o frescor de cada tela, que requer uma atenção especial ao tempo de secagem e de aplicação.
No universo da pintura, penso que essa dimensão do tempo é como uma lei que manda em tudo, e às vezes até um adversário. Quantas vezes que um anoitecer não quebrou completamente a luz da paisagem, ou um modelo não saiu da pose, ou uma cor não secou na paleta e ficou abandonada?
Mas algo surpreendente vai acontecendo enquanto o momento da criação envelheçe: as telas começam a emanar solidez, até mesmo tranquilidade. Para quem conheceu em primeira mão a correria que foi fazê-las, chega a ser surpreendente.
Portanto, foi com essa dinâmica entre pressa e permanência em mente que batizei essa amostra: ‘Logo, a Pressa de Desfaz’. Achei uma ironia interessante atrelar a promessa da calma à palavra ‘’logo’’, ou seja, sem muita demora… Será que às vezes tentamos apressar até a própria calma?
Mas ao fim, espero, deixando a distância tomar seu efeito (e talvez ajustando o nosso senso do que queira dizer “logo”), que essas telas lhes tragam um pouco de refúgio, assim como o ambiente charmoso e aconchegante desse restaurante também traz.
Bom proveito,
Gabriel Mercio