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Logo, A Pressa se Desfaz

Exposição e texto por Gabriel Mercio

Essa amostra de artes é uma seleção de algumas pinturas minhas feitas ao longo dos anos de 2023-2026. Entre o conjunto, existem muitas semelhanças: são paisagens que remetem a um senso de lugar muito ligado ao Rio de Janeiro e seus arredores. Mas por outro lado, as obras trazem abordagens contrastantes sobre a paisagem e suas convenções.

Entre as telas com a temática mais experimental, têm o díptico replicado da “Série Monotonia”, a desnorteante “Montagem de Paisagens”, e as segmentadas “Pintura de Seis Dias” e “Quatro Imagens”. Nessas obras, eu ando em contramão das convenções da pintura figurativa, como o foco num só assunto, o acesso implícito do espectador sobre a paisagem, e a perspectiva tradicional.

Por outro lado, também estão na mostra obras que se arriscam no sentido material. Entre elas, há uma fresca paisagem em óleo em “Lembrete de Botafogo”, o jogo de altinha banhado por em azul-turquesa de “Começo de Fim de Tarde”, e como ponto final da mostra, a nostálgica “Lembrança de uma velha luz de rua”. A assinatura da obra é a experimentação com textura e a luz, feita de formas diversas: veladuras de cor, subtrações feitas com ferramentas de entalhe de madeira, e visíveis ‘jornadas’ de pintura que geram emendas, remetendo ao afresco da antiguidade. Há sempre um cuidado especial em manter o frescor de cada tela, que requer uma atenção especial ao tempo de secagem e de aplicação.

No universo da pintura, penso nessa dimensão do tempo como uma lei que manda em tudo, e às vezes até um adversário. Quantas vezes que um anoitecer não quebrou completamente a luz da paisagem, ou um modelo não saiu da pose, ou uma cor não secou na paleta e ficou abandonada?

Mas por outro lado, algo interessante vai acontecendo enquanto o momento da criação envelheçe: as telas começam a emanar solidez, até mesmo tranquilidade. Para quem conheceu em primeira mão a correria que foi fazê-las, chega a ser surpreendente.

Portanto, foi com essa dinâmica entre pressa e permanência em mente que batizei essa amostra: ‘Logo, a Pressa de Desfaz’. Gostei da ironia de atrelar a promessa do desapressar à palavra ‘’logo’’, ou seja, sem muita demora… Será que às vezes tentamos apressar até a própria calma?

Mas ao final, espero, deixando a distância tomar seu efeito (e talvez ajustando o nosso senso do que queira dizer “logo”), que essas telas lhes tragam um pouco de refúgio, assim como o ambiente charmoso e aconchegante desse restaurante também traz.

Bom proveito,

Gabriel Mercio